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LINGUAS INDÍGENAS e a INVISIBILIDADE

E língua de sinais indígena

Este texto é baseado em trechos selecionados de uma entrevista com a renomada professora e pesquisadora Altaci Rubim, concedida à Amazônia Real. A entrevista aborda a importância das línguas indígenas na Década Internacional das Línguas Indígenas, um movimento global de valorização, preservação e revitalização das línguas originárias, proclamado pela ONU e vigente até 2032. Nessa entrevista, Altaci Rubim compartilha insights valiosos sobre a ressurreição de línguas esquecidas, o papel das línguas de sinais indígenas, a busca por autonomia na preservação linguística e muito mais. Através destes excertos, exploraremos as perspectivas únicas de Altaci Rubim, uma figura destacada na defesa das línguas indígenas e da riqueza cultural que elas representam.

 

A professora e pesquisadora Altaci Rubim, do povo Kokama, desempenha um papel fundamental na Década Internacional das Línguas Indígenas, uma iniciativa da ONU que visa revitalizar línguas originárias ameaçadas de extinção. Como representante da América Latina e Caribe na Unesco, ela lidera esforços para preservar mais de 6 mil línguas indígenas em risco, das quais cerca de 3 mil enfrentam ameaça de desaparecimento. Altaci destaca a importância das línguas indígenas na preservação da cultura, conhecimento tradicional e no combate aos desafios ambientais.

Altaci pertence ao povo Kokama, do Amazonas, e é mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia, mestra em Linguística e Línguas Indígenas e doutora em Linguística. Ela trabalha na revitalização linguística e cultural de sua comunidade, usando rituais e contatos com ancestrais para reavivar línguas adormecidas ou extintas. Altaci também é pioneira como linguista indígena, trabalhando para fortalecer a identidade linguística de seu povo, contribuindo para políticas de valorização e resgate das línguas indígenas no Brasil e América Latina.

Dentro do contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas, Altaci Rubim destaca a importância das línguas indígenas de sinais. Essas línguas, usadas para a comunicação entre pessoas surdas dentro das comunidades indígenas, muitas vezes são desconsideradas em favor de línguas de sinais mais amplamente reconhecidas. Altaci enfatiza que essas línguas têm um papel vital na cultura e na preservação dos saberes tradicionais, mas frequentemente são marginalizadas em relação às línguas de sinais dominantes. Ela ressalta a necessidade de valorizar e respeitar os sistemas de sinais que os próprios povos indígenas desenvolveram e utilizam, reconhecendo a riqueza e a profundidade dessas línguas indígenas de sinais.

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Muitas línguas, pouca visibilidade

Na América Latina e no Caribe tem em torno de 58,2 milhões de indígenas que falam aproximadamente 550 línguas originárias. No Brasil, no início da colonização eram mais de mil línguas. Foi um conjunto de ação: a igreja, a própria política de estado de dominação. Tudo se resume em retirar a terra dos povos indígenas. Todas essas políticas foram feitas para acabar com a vida dos povos originários. Mas os colonizadores sabiam que um dia íamos acordar, saber quem somos, o valor das nossas línguas. Por isso que precisavam acabar com nossa memória e resistência. A primeira ferramenta usada foi pela língua através do silenciamento. Teve políticas de extermínio, doenças, escravidão, massacres. Outra coisa foi diminuir a demarcação até não ter mais ninguém. Isso tudo foi pensado. Mas eles não contavam com nossa ancestralidade, que é maior.

Quer saber mais e ler a entrevista na íntegra?

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